domingo, 18 de setembro de 2011

Dona Mariana


Porto Covo quer dizer, vila arranjada, bem estar,  para quem procura o mar, as rochas, o cheiro forte.

Que saudades da D. Mariana , das  sopas de tomate a um Zé Vilhena,  que todas as noites se sentava como bom alentejano,  e esperava que a sua Alzirinha o servisse. A D. Mariana era uma pessoa amarga, formiguinha.
Tinha um corpo franzino,  já curvado,  pele engelhada e um cabelo curto muito preto. O pátio daquela casa, levava-me até ao pátio de casa da minha avó.. E quando entrava na cozinha, era o rosto da minha tia Emilia, no silêncio daquele rosto, ensombrado por anos de rotinas dolorosas.   
Era um lugar que me era familiar; 
O terraço as noites
Uma das suas tarefas diárias era ordenhar as vacas, e  fazer os queijos que vendia aos cafés. 
Em Bundi, no campo, lembrei-me das rotinas da D Mariana, e não passaram assim tantos anos. 
Ou será que 30 anos é muito tempo?
  

Albandeira




Hoje de manhã, ao pequeno almoço, pensou em Albandeira.
Recordava a estrada, e a estranheza de os carros conseguirem passar por ali.
Hoje foi fazer a experiência; não se arrependeu.
A estrada é linda, e o campo um apetite.
Um mar e um céu de perder o juízo.
E a luz,
sempre.

sábado, 17 de setembro de 2011

Era o mar no olhar


O tempo deslizava com leveza.
Era o mar no olhar. 
Vivia o presente sem amarras de cor, nem punções do ser.
Aspirava a brisa de um mar que enverdecia olhos dentro.
Sorvia os dias marítimos, que temperavam o gosto.
Não esperava mais

Richard Hamilton










Richard Hamilton (1922-2011)





domingo, 11 de setembro de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

sábado, 13 de agosto de 2011

tem momentos




Sledgehammer Girl by Dogbyte on Melrose Ave
tem momentos que a violência extrema,
segura no olhar um medo infinito


domingo, 24 de julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A bruxa

Que vida estranha.
Pensava ter fechado a porta ao vento,
que o dia estava acabado.
A vida é uma surpresa, pensava.
Surreal, no infinito.
Estava no quintal, preparava-se para a limpeza da cozinha, quando aquela mulher assomou à cancela em ar de choro, a chamar por ela.
Olhou, e viu uma pessoa envelhecida, de cabelos curtos, grisalhos, e nas mãos tortas as chaves de um carro, que enrolava frenéticamente  nos dedos.
Aproximou-se, sem a reconhecer.
Chorava enquanto lamuriava uma história confusa;

foi por ali fora até dizer que não tinha onde dormir,
que  a Segurança Social a tinha posto fora de casa, por maus tratos ao marido.
Perguntou-lhe então onde morava, porque é que tinha ido ali ter, porquê a ela?
Foi quando então se deu conta.
Aquela mulher, que enrolava as chaves freneticamente, era a "bruxa" da casa do alto!
A vida é um mistério.

Lucian Freud