sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Whitfield Lovell

Whitfield Lovell, nasceu no Bronx há 59 anos e recria a vivência dos negros, nos Estados Unidos, entre o fim da Guerra Civil e o inicio do movimento em defesa dos direitos humanos.
Páginas que o olhar folheia.
Pinta sobre tábuas, que vai buscar a construções antigas, figuras à escala humana, a partir de fotografias e postais da época, que rodeia por objectos do quotidiano.

Aakash Nihalani

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Wolf Khan

Espinho, 1973
Havia uma faculdade que lhe era peculiar; alcançar o que se propunha.
A idade traz recordações de muitos anos e as amizades da adolescência fazem parte desse universo.
Sentia crescer dentro de si a pulsão pelo reencontro com esse seu mundo; era quase vital, fazia parte do seu percurso.
Começou por entrar em contacto com o colégio de freiras onde tinha estudado, que obviamente a mandaram às urtigas, remetendo-se a um silêncio confrangedor, que nem as suas insistências demoveram.
Lembrava-se de nomes, mas não o suficiente, para os localizar de tão longe; até que, por engenhos que a vontade determina, conseguiu, e foi com emoção que ouviu os sons das vozes que já não se lembrava, habitados pelas imagens que guardava daquela época.
Sentia-se com os dezoitos anos que ainda lhe pertenciam.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sigur Ros

No sonho há uma linha de dor que o vento não dissipa.
Procurava um abrigo
onde o vento entrasse e levasse a dor que toldava o sonho.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Sem pressa

Sem pressa, entregou-se à vida.
Por caminhos de pedra, resgatou o sossego que o tempo ímpar lhe concedia.
Sem pressa....,

Alex Katz

Bundi

Chegar a Bundi à noite com o Baba, tinha sido um oásis para o olhar já entumecido por cores e rostos acolhedores; pela pedra do Rajastão.
O haveli onde tinha ficado, prolongou essa sensação de sonho já vivido.
Lembrava-se do terraço, da sensação de estar em sítio nenhum e de, no entanto, sentir que podia pertencer àquele lugar, onde havia macacos que entravam pela cozinha e roubavam comida, e a respiração se soltava.
Estava debruçado sobre um lago decadente, renovado pela modernidade de um sikh. Os empregados, rapazes que ia buscar ao campo e ensinava a trabalhar por meia dúzia de rupias, não tinham direito a férias. Dois dias por ano, para irem à terra, a casas que já não reconheciam.
A justiça social tem vários rostos, mas, aqui, tinha sentido correcção entre estas pessoas.
A descida das ruas até ao mercado, ladeadas por casas sombreadas por azuis e brancos; pedras seculares trabalhadas por mãos que sabiam, tinha sido uma luxúria para os sentidos.
O tempo parou e não queria sair daquele lugar onde os caminhos a abraçavam e o olhar se dissolvia.
O mercado, as cores os rostos a miséria num lugar que a reconhece sem a escorraçar, foi apaziguante.
Finalmente, a cor.

A chegada

Não via nada.
Saiu por aquela porta e sorveu cores e cheiros que não conhecia.
Num desconforto, seguiu pelas ruas sujas e cinzentas onde a verdura não sobressaia.
Uma profusão de sentimentos enquanto o rickshaw se embrenhava pela cidade.
Primeiro foi-se apercebendo das pessoas. Estendidas pelo chão, confundiam-se com macacos e cães que se alinhavam nos muros decadentes. Pedaços do mesmo lixo que enchia a cidade.
De manhã, na cobertura da pensão, avistavam-se casas de cimento, e paredes de tijolo, muitas delas, esquecidas da cor, adensadas pelo ar pesado.
Não havia nada para os sentidos adormecidos, a não ser a escuridão e miséria que avistava;
não sabia nada.
Faltava a cor que a claridade devolve aos objectos, o ar que nos permite sorver os sons.
Delhi pairava num deserto de cor, submersa pela miséria decadente.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ismael Lo

Não vejo palavras nas cores;
ouço cores nos sons das palavras

domingo, 5 de dezembro de 2010

The Genesis

Mariquinha

Chegava sempre a sorrir, de mansinho, com aquele rito na boca que realçava a expressão de um olhar prazenteiro por detrás de uns óculos de massa, tão pretos como o cabelo, apanhado num enorme rabo de cavalo.
Lembro-me da primeira vez que a vi chegar, suavemente, incógnita, com essa mesma expressão.
Passaram quatro anos, e a Mariquinha contou-me do seu jeito a infância, que quer longe, da apanha do arroz com lama até à cintura, do casamento forçado pelos pais com um homem mais velho, da sua partida, da luta para dar de comer a três filhos. De sair às três da manhã e de chegar a casa perto da meia noite. De os ver chorar com fome e de não poder fazer nada.
Marcas que aquele corpo frágil acolheu, sem rancor.
É a minha companheira das grandes faxinas.
Hoje dourou-me a casa com a ciência dos seus bons tratos.
O cheiro da cera nas tábuas do chão e nos móveis, os vidros limpos, ofereceram-me o delicioso conforto de uma casa no campo, onde a chuva não importa e o tempo se desenrola pejado de imagens saborosas.
É bom estar numa casa que a Mariquinha trata como se fosse sua, com aquela expressão de quem sabe mas não tem o dom da palavra.
É assim a Mariquinha, capixaba do Espírito Santo, terra de gente que emigrou e vê-se acossada em guetos relacionais.
Somos fechados, desconfiados, e no baile, a que já foi três vezes, encontra homens de que não se lembra, não servem. Telefonam-lhe com insistência mas ela não quer.
Um amigo, um companheiro e entretanto, paira na vida com o dom de espalhar bem estar aos que a rodeiam sem se fazer sentir nem ocupar espaço.
Mas aconchega.
A casa sorri, irradia de claridade e frescura quando vamos fazer a ronda final, com os brilhos a reflectirem-se na sua expressão.
São seis horas, tenho as migas a crestar lentamente e a Mariquinha espera o filho que há muito lhe agradeceu ter sido a mãe que foi e de o ter ajudado a ser o homem que é.
O outro filho também lhe diz não ter saudades do pai, ele tem a mãe que é o seu pai.
Não sabe doutro jeito.
É assim a Mariquinha

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Shelby Lee Adams

Gosto do olhar de Shelby Lee Adams, pode ser controverso,
mas sabe ver.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Clemens Habicht

Sempre que saía da escola, esgueirava-se por aquele portão, até sentir o horizonte onde havia letras.
Era esse o segredo.
Aí, sentia-se bem, num mundo sem cor nem pessoas, onde a inexistência a levava longe, lá muito longe, onde o olhar repousa no tempo e a solidão não cabe.

domingo, 28 de novembro de 2010

O caminho

Os passos ritmavam o andar.
Tinha deixado as portas abertas .
Hoje, achou que o lixo ficava muito longe e que a casa estava aberta e os cães lá encima.
Não ladravam, e o lixo era longe, o saco estava pesado.
Quando lá chegou a arfar, largou o saco e retomou o caminho,
que não reconheceu, até chegar a casa.

sábado, 27 de novembro de 2010

Objectos

Fascinam-me os objectos, a identificação do gosto.
Não os desejo, a não ser pelo prazer que me dão quando os descubro, sem pressa.
Como estes que encontrei no Etsy, e que me acariciaram o olhar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Rostos da India

Fiquei cativada com aquele olhar que, como eu, se apoiava numa bengala e fumava bidis.
Partilhámos o thai enquanto outros se iam juntando a observar duas mulheres que vinham de um País muito pequeno e que também fumavam bidis.
Boa disposição num lugar algures no Rajastão, onde me apercebi que também havia um médico e um barbeiro.
Um luxo.

Penguin Cafe Orchestra