domingo, 16 de maio de 2010

Wolf Kahn

He maintains “Art is playing, dancing spontaneity...and once you free the unconscious, the expression of landscape is always inside you.”

Ida Kohlmeyer

Tarde lenta

John Howes
Ontem à tarde andei por Lagoa.
Enquanto deambulava pelas ruas e refreava o desejo de voltar para o Monte Alto, entrei numa rua estreita, e apercebi-me duma antiga pastelaria com fabrico próprio. Fui atraída pelas letras. Voltei para trás, comprei o jornal e entrei.
Estavam três senhoras sentadas, de cabelo arranjado, com os seus melhores adereços, ostensivamente a passarem a tarde, rodeadas por pratos já vazios a olharam-me as três por detrás dos óculos. Um olhar gasto com sorrisos alinhados, a disfarçarem os comentários que iam sendo activados ao ritmo das entradas que iam surgindo na tarde lenta.
Sentei-me a ler o jornal e a saborear um queque de noz que me trouxe o conforto de uma cozinha a funcionar.
Abstraí-me-escrevenhei, e quando dei por mim as senhoras já tinham saído.
Estava comigo.

Elliot Wilcox

Kate Nash

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A noite

Kate Pugsley
A noite pôs-se boa, serena. Deixo-me estar, recostada, a olhar para um braço de jasmim que se enrola e se deixa cair, em flor.
Sinto na pele os cheiros que o vento deixou no telheiro.
Olho para o quintal, ao fundo, uma cortina com espelho.
Não me atrevo.
Fecho a porta e acendo uma vela com cheiro a jasmim.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Carl Larsson

João Abel Manta

À medida que vai surgindo o desejo e a oportunidade vou descobrindo retalhos que fizeram parte da vida da Cé e do Ernesto.

histórias,

Enquanto conto uma história,
conto todas as histórias.
Sigo o som, solto as mãos, o olhar.
Sugiro à razão a dimensão do sonho.
Invento imagens.
E já quieta, sem palavras,
apercebo-me que as histórias se misturam.

Ayub Ogada - Kothbiro

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Tavik Frantisek Simon

A andar por aí...

Tenho um fascínio por esta imagem,e perdi-me sem conseguir achar a quem pertence, :)

sábado, 8 de maio de 2010

Laranja

Sinto-te no olhar
Sinto-te nos dedos
Sinto-te comigo

Max Richter

Ciclos

Alighiero Boetti
Havia umas contas a acertar com aquele espaço, agora vazio.
À medida que as coisas iam saindo, afloravam as memórias.
Intimamente, exorcizaram-se histórias, tormentos, segredos.
Percorri aquele espaço, agora vazio, e continuei a sentir o cerco das imagens e dos cheiros.
Ecos ensurdecedores daqueles anos.
Por fim saí, como se fosse mais um dia igual aos outros.
Fechei a porta, e fui ter contigo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010