segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

domingo, 3 de janeiro de 2010

Au Revoir Simone

Bram Bogart

Yuri Abisalov

Petros Chrisostomou

Desenho

Nas minhas divagações fui dar a Rodolfo Passaporte, o meu professor de desenho do 1º ciclo.
Intrigava-me a razão que levou um espanhol a dar aulas na Covilhã nos anos sessenta. Mas a aproximação naqueles tempos não era possível, e da única vez que fiz um desenho à vista sem a ajuda do meu irmão mais novo, este senhor disse-me que o desenho estava muito bem feito, que não podia ter sido obra minha.
O afastamento foi definitivo.O prato que serviu de modelo, continua em casa da minha mãe, o desenho não.

Saul Steinberg

Dmitri Ligay

David Bowie - Space Odity

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2009 passou-se,

Há uns anos, , vi-me num fim de ano
às voltas com a minha inexistência.
Foi duro.
Hoje, sou eu, os cães e amanhã.
2009 passou-se

domingo, 27 de dezembro de 2009

Christmas "Com Vista do Prado"

Com direito a "christmas crackers" e coroas de papel vermelhas , sentámo-nos para o almoço de Natal.
A tradição levou a nanna Nelly a comprar duas molheiras, o que encantou a minha mãe, confortavelmente recostada, recordando a sua casa, no Porto.
E o prato para pôr o pão?Nem esse adereço foi descurado, banido muito cedo lá de casa, pelo meu pai, com grande mágoa da minha mãe.
As coisas estavam todas no seu lugar, com gentileza e simpatia. E durante 8 horas não se lembrou da casa de banho...
Muito obrigada, Malcom.
Monte Alto, com Vista do Prado, 2009

Diem Chau

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cesária Evora

Estas duas versões da Cesária, uma de 96 e a mais recente, são incríveis.
Mas que entourage

domingo, 13 de dezembro de 2009

Nakayama architects- Oki House

India

O sonho

Hoje, enquanto enquanto andava no quintal, às voltas com as folhas, uma serie de imagens vieram em catadupa. Quando começaram a ganhar forma , lembrei-me do sonho.
Vi-me no patamar do prédio onde vivi a maior parte da minha vida . Alguém sem rosto, abriu a porta onde costumava viver a porteira, e ao entrar, apercebi-me com alegria que dava para uma praia, areia dourada e mar, poucas pessoas. Fiquei a olhar e a sorver aquele cheiro.
Os moradores sem rosto começaram a juntar-se. Falavam sobre a falta de segurança.
A porta tinha de estar fechada.
Era perigoso.
Virei as costas e corri para a rua.
Lembrei-me de estar em casa, à noite, de ouvir barulho na escada, de ir à porta olhar pelo ralo, e de regressar ao quarto, insegura.
Quando acabei de limpar o quintal, sentei-me debaixo do alpendre e fui invadida pelo cheiro que vem do mar.
Deixei-me estar como sempre faço, antes de entrar em casa e de me esquecer da chave do lado de fora.

Mohsen Namjoo

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

É sempre assim,

É sempre assim,
Vai para casa cansada , e farta da vida que carrega lá fora.
Todos os dias, à noite, com os sentidos despertos, sobe a rampa e
quando chega lá cima, a casa devolve-lhe a força , e ela abre a porta.
Está em casa.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

sábado, 17 de outubro de 2009

Prash

Não consigo deixar de me emocionar sempre que olho para o traço de Prash Miranda.

Nick Drake

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Estamos as duas e os cães

Estamos as duas e os cães, mais a vontade que tenho em ver desaparecer os demónios que a perseguem.
Terramotos, vendavais _________chuva,
- Mãe, será que ela quer comer, a Piupiu?
- Não te dou mais, não comes...!
E sentada a jeito, segura no colo, agora mais pequeno, a taça com o pão partido aos pedaços, que escolhe, enquanto semicerra os olhos e lentamente cruza as pernas.
Mastiga, e com os dedos em pinça apanha dois bocados que coloca nas mãos estáticas, e fica.
Mastiga, devagar.
Lentamente, leva um dos dos pedaços à boca e, a seguir o outro
Carrega outro bocado que parte em dois e deixa-se estar.
Olhos semicerrados, expectantes.
Olhar vazio.
Mais dois. E outro que se divide em dois a aguardar vez.
Difícil este transe.
A côdea que as gengivas demoram a desfazer.
Dá-se à tosse e a um sorriso.
Agora é o canto do pão, o único bocado que resta.
Silenciosamente, acabamos a torrada e subimos.
Já não escrevo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Call center old lady

Hoje, andava por aí às voltas, quando ouvi o telefone.
Olhei de relance para o numero e pensando ser outra pessoa, atrevi-me a iniciar o discurso. Rapidamente me apercebi do engano.
Era uma operadora a sondar possíveis utentes para o seu serviço, com sotaque de Vixeu e timbre envelhecido.
Pois bem, não é que a call center girl, neste caso uma call center old lady me perguntou se estava interessada em comprar um pacote para não sei quantos canais de televisão e assim que lhe respondi que não tenho televisão, passou-se, e foi de rajada:
- A senhora desculpe, mas sabe, o meu marido até me dá nojo. O homem chega a casa, a mulher dele é a televisão; papa tudo, anúncios, telenovelas sabe tudo.
- Eu estou cansada, algum dia vai ele e a televisão.
- Eu digo-lhe, tu já te dás conta que não tens cultura nenhuma? Eu sou uma pessoa culta, gosto de musica culta, trabalhos intelectuais... ( e outros mimos deste tipo, que a senhora desfiou)
- Quando for para a cova, com a idade que já tem é o mais certo, ponho a televisão a adornar o caixão.
Único comentário:
- Vai ser viúva do seu marido e da televisão...
- Viúva dele e da televisão... vai ser uma felicidade.
Acabámos a conversa, e ela fez questão em salientar que apesar de estar a fazer este trabalho não gosta de televisão, pudesse eu não ter percebido...
Impressionou-me a raiva.

Cor

Às voltas com a cor.
Misturam-se, lentamente...
O branco é um sorna,
espreme-se com prazer__________ e é sempre pouco.