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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Era domingo e o dia corria limpo






A  memória, um ermo. Sem regresso, nem desejo;

- A M. tem um mundo dela.!
Ainda ouviu dizer.



Era domingo e o dia corria limpo.
Os gémeos cresciam numa casinha de chocolate e laranja    






sábado, 24 de março de 2012

Hoje, quando saí para fumar e me  aproximei da Fortaleza,
sorvi o mar da minha infância.
Achei a mesma cor, o mesmo cheiro,
a mesma hora.

Gosto de assistir à relação, que as pessoas dali têm com o mar.
Lembro-me, em criança, de sentir estranheza por não descerem à praia; achava então, que,  para eles seria inútil viver num lugar como aquele.


Agora vive com eles, trata-lhes das coisas, e estranha a relação que têm com o horizonte que os cega

Não se vêm fora dali, estão presos na lonjura que o olhar determina.



Todos os anos esperam e lamuriam pela vinda dos fascistas veraneantes, sobre quem chalaçam, amiúde.

sábado, 24 de setembro de 2011




Jeffrey T. Larson






Malgré tout os ciclos ainda se renovam, e o outono está aí.
Cheira.
Não há como escapar;
As castanhas a batata-doce o "fresquinho por cima", a respiração a chamar pelo quintal, o conforto de uma aconchego.
Que o fresco já arrepia, e as costas sofrem.

Um fim de tarde

Pensava nessa sua  tendência,  para habitar casas encenadas.
Na primeira casa, polvilhou uma parede de inutilidades, que lhe adoçavam o olhar.

Às vezes pensa onde foi buscar essa necessidade de acumular o que não faz falta, se quando olha para um espaço, gosta de o ver vazio, sem histórias.
Será por isso, pela imaginação não saber histórias, em casas habitadas?
Sentia-se envolta pelo ouro daquele fim de tarde, um cheiro muito doce.
Chamou os cães para dentro, e sorriu.

Por aí


Henry Miller por George Brassai -  Paris 1932







Bundi - Rajastão

sábado, 7 de maio de 2011

Queimar o tempo



Porque parei à porta da padaria a fumar um cigarro, compulsivamente, enquanto pedia que me embrulhassem duas bolas de berlim, a empregada contou a história;
Deixou de fumar porque quis, foi vontade dela; sempre que o filho e o marido, que já tinham deixado de o fazer, a pressionavam para fazer o mesmo, irritava-se, pegava noutro cigarro.
Contou-me que tem  uma fragilidade no pulmão e sempre que ia ao o médico era a mesma história.
Até que naquela noite,  sentiu uma falta de ar insistente e dolorosa; o coração pulsava vigorosamente e depois parava, estremecia... 
Durou horas.
No outro dia, deitou o maço de cigarros fora, e nunca mais fumou.
Sente-se muito melhor
A irmã, não, não consegue deixar de fumar. 
Ela faz com a irmã o que o marido e o filho faziam com ela, tem noção disso, mas não consegue deixar de o fazer.
Começou por me dizer que há pessoas que têm força de vontade, mas a irmã não. 
São dois maços por dia
Não se pode condenar, apontar, sem se saber a história, disse:
- Ela é muito nervosa, já esteve internada.... 
é o filho, com dois anos sofreu queimaduras em 80% do corpo. Fizeram enxertos de pele de cadáver que veio de fora, operações plásticas, mas é um menino queimado. 
Se a senhora visse os olhos dele...A minha irmã vive no terror da aproximação das datas dos exames e dos hospitais.
Já se tentou suicidar. Quando vou lá a casa aos fins de semana para a ajudar a fazer o almoço, está sempre a desaparecer para fumar. Acabo eu por fazer o almoço sozinha, não me importo.
Quando nos sentamos à mesa, come bem, pausadamente, olhar calmo, isso é. Mas no fim começo a perceber a ansiedade em se  levantar para ir fumar outro cigarro.
Sou eu que lhe chego a dizer, levanta-te e vai lá fumar.
A senhora vê, para a minha irmã é muito difícil.
Entretanto já tinha apagado o cigarro há muito e fiquei a pensar nos dois confortos daquela mulher:
Queimar o tempo.



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dia claro

Dia claro,   veleiro no horizonte,    olhar apaziguado

terça-feira, 3 de maio de 2011

Quintal

Um caminho de relva está atapetado de flores brancas, deliciosas. 
Gosto assim,interrompe a solidão da relva.
Contornei o quintal e apercebi-me da roseira, galhos e botões, amarfanhados pela malva da mesma cor de sangue que tinge aquele canto e se estende por todo o lado; cortei ramos e deixei as plantas sorver o ar, sem nesgas. 
Aproximei-me  das folhas da pequena roseira que está ao pé do portão, devoradas,pacientemente, por pequenas lesmas,  verde folha. Fui a correr buscar hortelã e louro e batizei a roseira com lascas das folhas que ia desfazendo.
Talvez não apreciassem aquele cheiro intenso
Sentei-me no chão à espera que as ditas se afastassem. 

O oposto. 

Não se foram embora e lentamente já se acercavam outras, todas verde folha.



Decidi-me a acabar com elas. Sem desprazer, amanhã vou até à farmácia falar da doença e pedir a cura.

sábado, 9 de abril de 2011

Laura

A Laura tem oito dias.
Uma menina esperada e amada por todos os que a rodeiam de coração.
Que a vida te seja leve, menina linda

quarta-feira, 30 de março de 2011

sábado, 26 de março de 2011

Ausência

-A tua mãe disse que vinha ter comigo, e ainda não chegou,
sabes dela?
Sabia,
o gesto que colhia a flor.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Prashant Miranda
Havia um cheiro ácido naqueles rostos cinza, com ar fétido.
Um lugar pejado de papéis, manuseados por quem não sabe o sabor da vida.
Uma coisa de cada vez, gritou uma mulher de carnes moles e olhar demente.
Respirou fundo.
Lá fora chovia e o ar sentia-se outro.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Desceu lentamente, a pensar nos filhos, enquanto sorvia o ar, e olhava pelos cães que a seguiam.
O coração voltava a bater, sem pressa.
Tinha estado com eles. Soube-lhe bem a ternura,
a disponibilidade, o amor.
Sentiu gratidão, este Natal.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Espinho, 1973
Havia uma faculdade que lhe era peculiar; alcançar o que se propunha.
A idade traz recordações de muitos anos e as amizades da adolescência fazem parte desse universo.
Sentia crescer dentro de si a pulsão pelo reencontro com esse seu mundo; era quase vital, fazia parte do seu percurso.
Começou por entrar em contacto com o colégio de freiras onde tinha estudado, que obviamente a mandaram às urtigas, remetendo-se a um silêncio confrangedor, que nem as suas insistências demoveram.
Lembrava-se de nomes, mas não o suficiente, para os localizar de tão longe; até que, por engenhos que a vontade determina, conseguiu, e foi com emoção que ouviu os sons das vozes que já não se lembrava, habitados pelas imagens que guardava daquela época.
Sentia-se com os dezoitos anos que ainda lhe pertenciam.

domingo, 12 de dezembro de 2010

No sonho há uma linha de dor que o vento não dissipa.
Procurava um abrigo
onde o vento entrasse e levasse a dor que toldava o sonho.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ismael Lo

Não vejo palavras nas cores;
ouço cores nos sons das palavras

domingo, 28 de novembro de 2010

O caminho

Os passos ritmavam o andar.
Tinha deixado as portas abertas .
Hoje, achou que o lixo ficava muito longe e que a casa estava aberta e os cães lá encima.
Não ladravam, e o lixo era longe, o saco estava pesado.
Quando lá chegou a arfar, largou o saco e retomou o caminho,
que não reconheceu, até chegar a casa.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sinais

Não sei a razão porque tirei a foto da matrícula de um carro que não me dizia nada.
A luz que me rodeava, sim, a claridade daquele céu na Charneca era sublime.
Vinda de céus coados em cinza foi com sabor que reencontrei o azul.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

"Elefanta em pontas"

Transfigurada pela musicalidade de Yann Tiersen, deparei-me com esta caricatura do sec XIX, de George Cruikshank, uma elefanta em pontas...,
curioso.

domingo, 27 de junho de 2010

Banho de domingo

Tinha terror que a agarrassem e a metessem naquela banheira, de onde não podia sair.
Ao mínimo ruído do horrendo exaustor, saltava e subi as escadas para o seu refúgio.
Enquanto os outros estavam a ser tratados sentia-se segura, mas sempre lá cima.
O ritual do pão, mesmo esse não resultava.
Não vem.
Desligo o exaustor, viro as costas e passado um bocado, aqui estás sentada ao meu lado e é mesmo agora que vou pegar em ti e meter-te na maldita banheira de onde vais sair piu-piu, prometo.